sexta-feira, abril 29

A ilusão de escolha

Há dias deparei-me com uma imagem de uma vaca à porta de uma espécie de mini- labirinto com duas entradas: uma dizia “Direita” e a outra “Esquerda”, dando a ideia de que quem as atravessasse, estaria a escolher caminhos diferentes. Piada da imagem, as duas entradas iam dar, de qualquer maneira, à porta do matadouro.
Não pude deixar de relacionar a imagem com a política que experienciamos há já muito tempo. A porta da “Direita” e a porta da “Esquerda” assumiram-se como os dois lados que, apenas supostamente, dão a oportunidade de se seguir linhagens de pensamento directamente opostas. Claro que isto foi o que aprendemos todos em História, porque não me parece que haja assim tanta diferença entre o que uns fazem e o que os outros praticam (já entre o que dizem e o que executam, aí parece haver um abismo colossal).
No clima de instabilidade política em que vivemos, agora ainda mais agravado, são imagens como estas que retratam na perfeição o dilema que os Portugueses parecem enfrentar cada vez que existem eleições. E arrisco-me a dizer que essa é uma das razões pelas quais o nosso País, outrora grande e com um passado tão rico, parece afundar-se cada vez mais.
Parecem não existir alternativas, os políticos cometem os mesmos erros, fazendo com que a famosa expressão “são todos iguais” fique eternamente relacionada com a vida política do agora (um agora com duração algo parecido com as pilhas “Duracell”). De direita ou de esquerda, bons ou maus, a verdade é que Portugal não sai da crise em que alguém o colocou. A verdade é que, sendo de direita ou de esquerda, qualquer político que passe pela chefia do Governo parece já não ter a capacidade de olhar para além do seu próprio bolso e de realmente conseguir fazer deste país, um país mais rico (não pobre, como o Ex. ‘Engenheiro’ José Sócrates fez questão de afirmar, num aparente grande equívoco, há uns tempos atrás).
Por entre os falhanços de que damos conta, semana atrás de semana, ainda não deve ter nascido a Grande Pessoa capaz de (re) colocar esta nação em forma, ou se já nasceu, está longe de se (re) colocar na luz da ribalta. Mas, também, provavelmente, seria categorizada tal como os seus antecessores.
Culpados também somos nós, que deixamo-nos ficar enterrados no mesmo sítio, a ver os grandes passar a altas velocidades.
Nada muda, e a ilusão de escolha política assemelha-se em tudo à ilusão de escolha da vaca. O que quer que escolhamos, não nos conduz a lado nenhum. Aliás, conduz-nos sempre ao mesmo.

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