domingo, maio 1

Hora de reflexão


Eles também querem ser beatificados

Papa João Paulo II, o novo beato da Igreja-mãe de todas as religiões cristãs.
Até aqui, nada que cause grande espanto. O santíssimo homem, pela sua vida fora, de tudo fez, desde o combate ao comunismo no leste da Europa, à "sua humildade profunda, enraizada na união íntima com Cristo"...
Pois. É uma ideia com quilos de pó. As grandes acções, protagonizadas por grandes homens, sempre tiveram fundamento na religião. Qualquer que ela fosse.
Se calhar é esse o problema de hoje em dia. Há falta de fé. De religião, nem tanto. Ou da falta dela. Mas há falta de fé. Há falta de inteligência não-superficial. Há demasiado cinismo. Daí, existir falta de grandes homens.
E não é que nós, portugueses de tradição cristã, tivemos a sorte (leia-se azar) de encontrar homens que, na desesperada tentativa de se tornarem grandes, ficaram cada vez mais pequenos. (Leia-se grandes como sinónimo de aspirações a riquezas monetárias, e não de aspirações a riquezas intelectuais. Pequenos, em vice-versa).

Pois bem. Se considerarmos Sócrates no seu já cansado discurso de blá blá blá whiskas saquetas, Passos Coelho no seu discurso de trocas e baldrocas, Portas preso lá ao longe no interior e os outros que são tão senis que nem vale a pena mencioná-los, faz-me pensar que bem que se podiam dedicar a outra profissão. Da maneira que isto está, não vejo grande diferença entre o país ser governado pelo Zé do Povo ou por um Sr. engravatado. A esta altura do campeonato, parece-me tudo igualmente analfabeto.
Devido à nossa tradição religiosa, é sempre visível vê-los a todos sentados nas primeiras filas de importantes eventos religiosos, como aconteceu na vinda do Papa Bento XVI a Portugal. Percebendo daquilo ou não, os anos de vida política que levam, ajudaram-nos a fingir muito bem. Ou não.
Provavelmente, procuram ser eles próprios elevados à condição de beatos pela população que emerge às ruas nesses eventos. "Estou aqui, olhe para mim aqui sentado. Tão simples e transparente que sou. (VOTE EM MIM)". É só o que falta. Querem ser todos beatos do povo português. De certeza que, pela quantidade de zé povinhos que ainda vão aos eventos religiosos, só lhes caía bem nas suas relações-públicas. 


É pena é o sistema não funcionar assim. Maldita Igreja, sempre presa aos cânones antigos.

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