domingo, março 27

"Retrospectiva de um amor profundo"

Em retrospectiva, és tudo o que sempre achei que nunca fosses, e nada do que achava que poderias ser.

E continuas aqui, bem presente. E o que é que eu faço agora? Já tentei de tudo. Já fiz orações aos céus, já pedi ao mar que levasse a tua memória com a onda que ia embora, já enterrei as tuas palavras, os teus actos, a tua presença no fundo, bem fundo de mim. Já deixei de dizer o teu nome em voz alta, e já deixei de esperar que do teu silêncio viessem respostas para as minhas dúvidas. E agora? Quanto tempo é que é preciso para enterrar o passado? Quanto tempo é que temos de sofrer, quanto tempo é que temos de esperar para alguém desaparecer, como se nunca tivesse existido?
É que os meus dias continuam iguais. Eu continuo a mesma, mesmo com todo o tempo que já passou. Com tudo e principalmente com nada, eu continuo com a mesma rotina, continuo com as mesmas pessoas, continuo nos mesmos sítios, continuo a percorrer os mesmos caminhos, continuo a recordar as mesmas datas, as mesmas perguntas sem resposta. Continuo a perguntar-me como é que foste capaz de me segurar a mão, como é que foi possível lutares até meio, para quando eu finalmente chegava ao meu meio do nosso caminho, à minha metade, deixares-me lá sozinha, já presa a ti.
Continuo a perguntar-me porque é que toda a gente tem direito a uma segunda oportunidade, porque é que toda a gente avança menos eu, e principalmente porque é que nunca percebeste a sorte que tinhas em poderes ter tido alguém como eu. Em me poderes ter tido a mim.

E sabes do que é que me lembrei?
De que é impossível entregares-te a alguém se não gostas de ti o suficiente para saber o que está mal, para saber quando é que alguém gosta mesmo de ti, e para saber se tudo o que aconteceu foi verdadeiro, foi sentido. Da minha parte foi, e provavelmente é por isso que continuo presa a ti. Porque pensei sempre que, como era recíproco, era uma história por acabar, incompleta. E esqueci-me que, numa história, são sempre precisos dois protagonistas para acabá-la com um final feliz, nem que o ‘para sempre’ seja mentira.
São precisos dois, e fiquei tão presa à possibilidade, que não vi o que o teu silêncio queria realmente dizer.
E agora, passados meses, sabes o que acho?
Que nunca te deixaste entregar a alguém, muito menos a alguém que sabias que te podia fazer feliz, a alguém que estivesse sempre lá, porque te assustavas com algo tão simples como apoio, como dedicação. E fazia-lo, porque simplesmente o confundias com prisão, com esse ‘para sempre’. Quando eu nunca te pedi nada, e quando nunca te prometi nada.
E foste-te afastando. Eu vi tudo acontecer em câmara lenta, mas na altura não queria encarar as consequências, para não ter de sofrer mais uma vez, preferindo então fingir que não me tinha magoado, que eram coisas da vida, e que simplesmente se tinha de andar para a frente. O problema, é que fiz tudo menos andar para a frente, e esta sensação de que não se sai do mesmo lugar quando tudo parece avançar, é a pior sensação do mundo.

Se alguém teve culpa?
Ninguém teve, e tivemos os dois. Porque não se pode exigir a alguém que encare as responsabilidades de algo que não queria fazer; porque não devias ter dado a entender mais do que te era possível oferecer, por nunca teres dito o que querias ou não desde o inicio e sobretudo por te teres ido embora sem qualquer aviso; e porque eu nunca deveria ter esperado absolutamente nada de ti.

Uma coisa que aprendi, não se foge ao passado, porque ele arranja sempre maneira de voltar. Então, o que resta é tentar esquecer da melhor maneira que formos encontrando, até aprendermos a diferença entre fugir e libertar.

Até lá, o segredo é saber andar direita e de cabeça erguida mesmo que por dentro só se apeteça esconder. É não esperar das estrelas e do oceano mais do que a sua beleza e sobretudo não esperar das pessoas mais do que elas estão dispostas a oferecer.

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